Crónica de Inconstâncias Odontológicas

Mapa ilustrativo da história das próteses dentárias no cinema desenhado a tinta da china sob papel Fabriano a partir de frames dos filmes originais; Dentes de vampiro em cerâmica numa redoma de vidro soprado com base em madeira. 2013


“There, on our favourite seat, the silver light of the moon struck a half-reclining figure, snowy white... something dark stood behind the seat where the white figure shone, and bent over it. What it was, whether man or beast, I could not tell.” Bram Stoker, Dracula, 1897

Apropriando-se de lendas, contos e romances sobre aberrações e monstruosidades, o cinema desde cedo revelou um fascínio particular por mutações, em particular as mutações dentárias. Acompanhando o nascimento da prática cinematográfica, a temática de Terror e os seus subsequentes aparatos e próteses de figuração foram amplamente explorados desde os primórdios da imagem em movimento. O seu aparecimento na história do cinema ocorre antes mesmo de este se formar enquanto conceito. Com o seu desenvolvimento, a produção de próteses dentárias pela industria cinematográfica foi cada vez mais extraordinárias, transfigurando fisicamente não apenas as lendas originárias como também a nossa própria concepção de “Terror”, levando à eventual massificação e vulgarização do que anteriormente foi entendido como um terror real. Este trabalho é um exercício de registo e catalogação desta história cinematográfica e das suas próteses dentárias.


Descer a Cerâmica, Galeria Painel, Porto, 2014